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Givenchy: sucesso, prestígio e a menina franzina

Givenchy chegou ao estrelato no início da década de 50 do século passado. O interesse precoce na moda culminou na abertura da sua própria Maison, com apenas 24 anos de idade. Note-se que esta era uma época de pós-guerra, facto que teve impacto na indústria da moda, como em todas as outras. A roupa, assim como restantes bens de consumo, eram sujeitos a racionamento, o que originou uma fome de luxo, por parte das senhoras da alta sociedade (razão forte, pela qual Dior foi tão bem sucedido com a sua linha Corolla, eternizada como New Look, cujo uso exorbitante de tecido fazia das peças a resposta certa para a necessidade frívola do consumo conspícuo).

Assim, as restrições, agora terminadas, da guerra, deram lugar a um novo espírito de otimismo, de prazer de viver, e também com um aumento significativo da natalidade, que daria origem ao termo “adolescente”. Esta palavra surge pela necessidade de nomear o segmento de mercado jovem que se tornava agora importante para o mercado da moda, e o influenciou de forma inédita.

A roupa torna-se gradualmente menos formal, e, talvez por isso, com formas menos estruturadas. Utilizando tecidos de camisaria e cortes mais retos, Givenchy responde a esta nova exigência do mercado, criando o vestido-saco, com corte e silhueta inovadores. Apesar do seu vasto trabalho na moda, ficaria eternizado pelo sucesso dos figurinos que criou para Audrey Hepburn, em especial o mítico vestido preto utilizado pela atriz em “Breakfast at Tiffany’s”. Os looks salientavam a sua elegância franzina, contrastante com os padrões de beleza curvilíneos da época. A atriz afirmava mesmo que eram “As roupas dele são as únicas nas quais me sinto eu própria. É muito mais que um couturier, é um criador de personalidade”.

Inovação e diversificação da marca com o mesmo nome

Aprendiz de Balenciaga, Hubert foi tão revolucionário quanto seu mestre. Foi o primeiro designer de alta-costura a apresentar as suas coleções em simultâneo para imprensa e clientes, algo de muito disruptivo para a época.

Daí em diante diversificou o seu negócio com perfumes e coleções masculinas, acessórios, tecidos para decoração, sapatos e joías.

Givenchy retira-se da marca com o seu nome em 1995, tendo sido sucedido por Galliano (que rapidamente se mudou para a Dior), depois McQueen (na altura eleito o melhor designer pelo conselho britânico) e mais tarde Julien MacDonald.

À data da sua morte, Hubert de Givenchy deixa um longo legado na moda, materializado na marca de luxo renovada que hoje pertence à Louis Vuitton Moët & Henessy, (grupo que detém grande parte das grandes marcas de luxo que hoje conhecemos), e na suas inovações que marcaram a história da moda.

“Sucesso não é prestígio. O sucesso é passageiro, o prestígio é outro assunto. Ele persiste depois da gente. É preciso trabalhar para não ter trabalhado em vão”

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Escrito por Sofia Craveiro

Fashion lover, branding maniac and a sushi addict.
Adoro estudar moda e compreender o seu impacto nas pessoas e sociedade. A minha meta é transmitir factos, sob a minha perspetiva, que te façam pensar e questionar o que está a acontecer e porquê no mundo da moda.
Espero que além de te fazer pensar, te faça passar um bom bocado :)

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