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Logomania: a tendência renovada da febre das marcas

Não é novidade a febre que se instalou pelas marcas. Se dermos uma olhadela pelo que se passa nas ruas, é notória a preferência por peças de roupa com logotipos de marcas estampados, qual anúncio ambulante.

Esta tendência era dominante nos anos 90, 2000. Naquela altura não existia maior símbolo de estatuto do que usar marcas de griffe, estampadas da cabeça aos pés, em padrões ou emblemas de marca. Isto porque, naquele tempo, os anos 80 inverteram o gosto por moda pela preferência pelo lifestyle. As mulheres ascenderam nas carreiras, dando origem a uma forma de vestir maioritariamente executiva e próxima ao vestuário masculino (power dressing). Este facto, e outros mais, fizeram com que a moda perdesse importância no quotidiano. Com o avançar dos anos, a cultura da MTV e do videoclip tornaram-se mainstream, fazendo com que aquilo que passava na passerelle das semanas de moda parecesse enfadonho. Além disso, o Hip-Hop, cultura em ascensão há algum tempo, tornava-se mainstream, fazendo com que as verdadeiras afirmações de estilo estivessem nas ruas, pela forma de fatos-de-treino confortáveis e ténis da Adidas. A roupa tornou-se muito mais confortável do que na década anterior, razão pela qual as marcas ganharam mais importância que nunca (afinal, se andarmos todos vestidos da mesma forma, como afirmamos a personalidade, senão através da escolha da marca?).

Atentas a estas correntes, as marcas de luxo começaram, muito lentamente a incorporar elementos da cultura de rua nas suas coleções, tentando resgatar o fator cool de novo para as passerelles. (O melhor e mais célebre exemplo é o grafitti que Marc Jacobs fez no clássico padrão da Louis Vuitton, que se tornou icónico da marca).

O fast-fashion e a democratização da moda

A febre das marcas manteve-se durante largos anos, até à generalização de um fenómeno chamado fast-fashion.

As cadeias de roupa a preço-baixo, que hoje conhecemos tão bem, fizeram as grandes marcas perder importância, por permitirem aos consumidores comprar modelos muito similares àqueles com que sonhávamos acordadas, através das folhas das revistas de moda. Coisas como Zara e H&M, revolucionaram o mercado, e democratizaram a moda. Este facto fez-nos perder um pouco o interesse pelas grandes marcas. Afinal é muito mais interessante expressar o meu estilo através das combinações e escolhas que faço do que por um logotipo esparrachado na t-shirt. Right?

Ou pelo menos assim era, até há algum tempo atrás. Depois de vermos os looks mais estranhos e bizarros sentados na primeira fila das semanas de moda (e não digo que deixámos de ver…), a verdade é que a criatividade no que respeita a criar e combinar caiu um pouco no estapafurdio, e torna-se muito mais simples e elegante, apenas usar uma fanny-pack da Channel. É muito mais seguro e estiloso.

O regresso dos anos 90, que se instalou por culpa da nostalgia dos millenials (pessoas como eu, que apesar de novas já têm saudades da infância e das Spice-Girls), trouxe consigo, além das gargantilhas a febre pelas marcas, ainda que de forma diferente. Enquanto nos anos 90 o culto dos logotipos vinha dos guettos e do Hip-hop, com uma consequente apropriação disto pelas marcas de luxo, hoje vem um pouco pela conveniência e influenciadores digitais. Ora vejamos, se a internet está apinhada de gente que publica fotografias a usar roupa que lhe pagaram para usar, a publicidade não será muito mais eficaz se incluirmos o nome da marca em sitío bem visível? 😉

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Escrito por Sofia Craveiro

Fashion lover, branding maniac and a sushi addict.
Adoro estudar moda e compreender o seu impacto nas pessoas e sociedade. A minha meta é transmitir factos, sob a minha perspetiva, que te façam pensar e questionar o que está a acontecer e porquê no mundo da moda.
Espero que além de te fazer pensar, te faça passar um bom bocado :)

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