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Ugly Fashion ou O Rei Vai Nu?

É isso mesmo. Não vamos estar com rodeios. A moda atual é feia. Razão para a qual é mais cool do que nunca. Este facto não é ao acaso. Com as mudanças que se têm vindo a verificar no zeitgeist (falamos claro da identidade de género, do narcisismo online e do impacto que tudo isso tem nos padrões de estética vigentes) ser cool, na moda em particular, envolve ser peculiar e original, o que se traduz na utilização de peças cada vez menos favorecedoras do aspeto em geral. Se pensarmos bem, esta é mais uma das consequências da nossa vivência online, e do que ela implica em termos da expressão da nossa vida e identidade (seja ela verdadeira ou não). Fazer um scroll no Instagram mais parece o folhear de um catálogo de viagens, cada foto mais perfeita que a anterior. Isto torna-se aborrecido, fazendo com que todas as fotos que a Maria Francisca se esforçou tanto por obter ao pôr-do-sol no Terreiro do Paço se tornem iguais a tantas outras. Por isso vemos agora o reverso da moeda: o perfeito não tem mais interesse. Apenas o peculiar, estranho e, sim, feio, nos faz parar de deslizar dedo pelo ecrã. Exemplos deste facto são a adoração por marcas como Vetements ou Balenciaga cujas peças desafiam os padrões de estética estabelecidos, tornando super cool que tem a coragem de sair à rua com elas. Criatividade dizem eles.

Pessoalmente, acredito que é uma espécie de “O Rei vai Nu” dos tempos contemporâneos: quem usa crocs com plataforma para ir ao pão não tem falta de gosto, mas sim uma capacidade superior de apreciar produtos de moda, algo que os leigos nesta matéria não serão capazes de compreender ou atingir. A estranheza que causa nos outros não é mais senão uma expressão da sua ignorância na moda. E ninguém diz que é feio com medo de ser encarado como burro. Um pouco como quando o Rei desfilou na parada e ninguém disse que ele ia nu.

Ao parecer estranho e diferente estou a destacar-me da multidão ignorante e indistinta. Mais do que uma forma de distinção social, expressão de identidade além-género e chamada de atenção, a utilização deste tipo de peças serve também, ainda que de forma mais subliminar, para mostrar ao mundo que a beleza pessoal é de tal forma poderosa que subsiste mesmo quando é desafiada.

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Escrito por Sofia Craveiro

Fashion lover, branding maniac and a sushi addict.
Adoro estudar moda e compreender o seu impacto nas pessoas e sociedade. A minha meta é transmitir factos, sob a minha perspetiva, que te façam pensar e questionar o que está a acontecer e porquê no mundo da moda.
Espero que além de te fazer pensar, te faça passar um bom bocado :)

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